07/10/2015
Despindo o lado masculino, e revivendo o lado feminino
Por Clélia Paes

Terceiro capítulo da série: O outro mundo do filme Albert Nobbs.

 

Esta foto de sua mãe, posteriormente, em uma segunda fase do seu desenvolvimento psíquico é transferida para outra imagem, mais ampla, de lar representado pelo símbolo de uma lareira aconchegante, onde a foto é colocada em segundo plano.

Somente na calada da noite é possível despir o papel masculino e soltar sua intimidade feminina. A mulher só existe por alguns instantes, quando conta suas economias e sonha com seu empreendimento que talvez possa dar espaço para sua verdadeira identidade.

Antes de dormir, olha com ternura um retrato onde está escrito “Mãe”,  para voltar a guardá-lo nas páginas da Biblia. Esta cena é a que mais se repete durante todo o filme e, não por acaso, cortada com a próxima cena que se inicia com um café da manhã, que se reduz a um pobre e ralo mingau de aveia, esta cena matinal, também se repete, por várias vezes.

Difícil não relacionar estas duas cenas com um dos aspectos do arquétipo da grande mãe que é o da nutrição/mantenedora. Ou seja, Nobbs vive psiquicamente, unicamente, de uma parca imagem representativa da mãe (foto) e fisicamente de um ralo mingau. O que também transpassa em sua aparência, que requer o mínimo de energia necessária para a pobre sobrevivência.

Essa mulher (mãe) vai inspirar os sonhos infantis de Nobbs, sobre um lar maternal, quente e acolhedor. Caracterizando aqui uma das etapas da análise da primeira infância, inclusive, podemos tecer um relacionamento de quando “Freud diz que a primeira afeição de uma menina é para com seu pai e os primeiros desejos de um menino para com sua mãe”, Portanto, Nobbs por ser bastardo, enquanto menina, já foi castrado de sua possibilidade de desenvolver sua afeição em relação ao pai. O que também o impediu da necessidade de livrar-se da mãe como supérflua, uma vez que ficaria totalmente com ausência de afeto.

E seguindo a linha de raciocínio de Freud ao descrever a fase fálica” como sendo algo que afeta apenas a criança do sexo masculino”, sendo assim, não posso traçar nenhum comentário a este respeito sobre o personagem, Nobbs.

 

Ficou curioso para saber a análise a fundo de um dos filmes internacionais mais profundos e tocantes?  Acompanhe aqui nesse espaço toda segunda-feira e quarta-feira um novo capítulo. Segunda-feira 12/10, tem mais. Até lá!

 

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